Rick Riordan fala sobre nova série em entrevista para O Globo

No site online do jornal O Globo, foi publicada uma entrevista com Rick Riordan, o autor das séries Percy Jackson & Os Olimpianos, Os Heróis do Olimpo e As Crônicas dos Kane. Confira a seguir:

RIO – Se Rick Riordan fosse interpretar um personagem da mitologia grega, o papel mais adequado seria o de Midas, o rei que transformava em ouro tudo o que tocava. Suas séries de ficção infanto-juvenil baseadas em mitologia tiveram mais de 1,5 milhão de livros vendidos no Brasil e 50 milhões nos EUA. Após o sucesso dos volumes de “Percy Jackson e os olimpianos”, invocando deuses gregos, ele publicou a trilogia “As crônicas de Kane”, sobre mitologia egípcia, e está lançando, no Brasil, “O filho de Netuno” (Intrínseca), segundo título da série “Os heróis do Olimpo”, continuação de “Percy Jackson”.

Em entrevista ao GLOBO, por e-mail, o autor americano conta que, agora, pretende se embrenhar pela mitologia nórdica. E explicou que não tem medo de ser repetitivo:

— Mitologia é um tema profundo. É como a Hydra. Você corta uma cabeça e duas aparecem no lugar.

O GLOBO: Você começou a lançar os livros de “Os heróis do Olimpo” depois de terminados os cinco volumes de “Percy Jackson e os olimpianos”. Por que decidiu continuar escrevendo sobre mitologia?

RICK RIORDAN: Sempre soube que “Percy Jackson” seria uma série de cinco livros, porque queria que Percy tivesse 16 anos no último volume. Achei que cinco livros sobre mitologia grega seriam o suficiente. Mas estava errado! Quanto mais eu leio sobre mitologia, mais descubro. Percebi que havia material para novas séries. Decidi, então, introduzir novos personagens — como os semideuses romanos — em “Os heróis do Olimpo”.

Não tem medo de ficar repetitivo?

Eu sigo alguns padrões da mitologia grega, especialmente a busca do herói. Nos livros, há elementos parecidos. Os semideuses sempre devem ir em algum tipo de busca, como salvar o mundo de monstros ou deuses maus, e voltar vivos. Mas gosto de criar coisas diferentes. Em “As crônicas dos Kane”, usei, pela primeira vez, narradores na primeira pessoa, os irmãos Carter e Sadie. Em “Os heróis do Olimpo”, explorei o mundo greco-romano do ponto de vista de sete semideuses diferentes. Estou sempre explorando deuses, monstros e lugares diversos do mundo real.

Sobre que outros assuntos você pensa em escrever?

Mitologia é um tema profundo. É como a Hydra. Você corta uma cabeça e duas novas aparecem no lugar! Tenho projetos que nada têm a ver com mitologia, mas eles terão que esperar. Minha próxima série será sobre mitologia nórdica. Quero escrever sobre o mundo de Thor, Loki e Odin desde que sou criança. Começarei a trabalhar nisso logo depois de terminar “Os heróis do Olimpo”.

Romances distópicos, como a série “Jogos vorazes”, são um grande sucesso entre jovens atualmente. O que você pensa dessa tendência?

Sempre digo a novos escritores que eles não devem seguir modismos, porque quando alguém terminar de escrever um livro, a moda será outra. Mas é interessante observar que “Jogos vorazes”, que iniciou essa onda de distopia, é baseado em mitologia. É basicamente um remake do mito de Teseu e o labirinto. A autora Suzanne Collins fez um trabalho maravilhoso ao transformar essa história em algo novo. Isso só mostra que a mitologia nunca vai ficar velha.

A cada livro, a expectativa dos fãs parece aumentar. Você se sente pressionado a manter os números em alta? Já mudou algo no seu trabalho por causa de críticas dos leitores?

Essa expectativa é maravilhosa. É muito motivador saber que há tantos fãs esperando meus livros. Isso me torna mais produtivo. Mas acredito que ninguém pode me pressionar mais do que eu mesmo.

O que se pode esperar de “The mark of Athena” (ainda sem tradução), que será lançado nos EUA em outubro?

O livro reunirá os semideuses gregos e romanos e os enviará para uma saga em Roma. Eles precisarão descobrir um antigo segredo que pode ser a chave para defender a deusa da Terra Gaia e sua filha.

Você trabalhou em duas séries ao mesmo tempo. Como administra o tempo?

Eu aprendi a ser bem rápido no meu processo de escrita, mas não consigo escrever mais de dois livros em um ano. Ficava seis meses escrevendo para “As crônicas de Kane”. Depois, eram mais seis meses escrevendo “Os heróis do Olimpo”. Posso passar até 14 horas escrevendo, dependendo de quanto tempo faltar para o prazo final.

Você já deu entrevistas dizendo que nem viu o primeiro filme baseado na série de Percy Jackson, e que não se envolveu com a adaptação. Arrepende-se de ter vendido os direitos da série antes de o primeiro livro ser publicado?

Não posso comentar nada relacionado aos filmes. Por favor, desculpe-me.

Fonte: O Globo

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